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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Mapa da violência aponta disparidade racista nos índices de mortes por homicídios

Mais de setenta pessoas participaram da audiência pública na Câmara Municipal com a temática “Combate ao extermínio da juventude negra... É uma responsabilidade nossa!”. A Prefeitura de São João de Meriti, por meio da Superintendência de Políticas de Promoção da Igualdade Racional (Suppir), que integra a Secretaria de Assuntos Institucionais, teve como intuito, no mês da Consciência Negra, chamar atenção da sociedade, nos seus âmbitos civil, privado e público, sobre o crescente índice da mortalidade de jovens negros em todo o Brasil, de acordo com o levantamento do Mapa da Violência, do governo federal.
“É um assunto impactante e profundo, que precisa estar sendo refletido já que há uma disparidade racista. Esse resquício de racismo na sociedade deve ser mudado. É necessário haver um trabalho de conscientização de que somos um povo afrodescendente. Essa pesquisa desafia todos nós e temos a missão de cooperar para que os jovens não morram jovens”, disse a secretária de Assuntos Institucionais, Leila Regina.
O palestrante convidado pela Suppir, André Barroso, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fez um traçado da situação da juventude negra em comparação aos índices dos anos de 2002, 2005 e 2008, mencionados no Mapa da Violência 2011. De acordo com os dados, a quantidade de mortes por homicídios em negros é maior do que em brancos: 45%, em 2002; 80%, 2005; e 111%, 2008 – nesse último ano mais que o dobro. No Rio de Janeiro, a cada 100 mil pessoas mortas também por homicídio 66%, em 2002, eram negros; 63%, 2005; e 47%, 2008.
“Bom índice para o Rio de Janeiro, mas não é a realidade nacional infelizmente. O estado fluminense está em sexto no ranking nacional de homicídios em brancos e 5º, em negros. E ainda 14° quanto à vitimação independente da cor”, disse André.
De 2002 a 2008, o número de homicídios em negros em relação aos de em branco aumentou em 42%. “Apesar de não termos novas estatísticas, acredito que esse índice continua no seu processo crescente”, comentou o palestrante.
Municipalizando, São João de Meriti tem, num total de 36 mil pessoas, 83 dos registros de homicídios foram de negros, em 2006; 86, 2007; e 54, 2008. Mesmo num processo decrescente, a cidade é o 22° entre os municípios do estado do Rio de Janeiro nos índices de mortes por homicídios em negros.
“Uma das tarefas dessa audiência é unir o poder público e as autoridades de segurança para tomar providências e ações para deter o crescimento de homicídios em negros, que é uma disparidade. Há uma marginalização desse segmento da população devido à herança da colonização, inserido na cultura até hoje. Há de haver medidas públicas que incidam na educação e na melhor qualidade de vida para reverter esse quadro”, ressaltou o palestrante.
“Os números mostrados são alarmantes. Temos o compromisso de, a partir de dezembro, mobilizar a sociedade para realização de uma campanha de contra ao extermínio da juventude negra”, ressaltou o superintendente da Suppir, Williann Lyra.
Entre as autoridades presentes, estiveram na audiência pública a delegada titular da Deam, Sueli Murat, representantes da Secretaria Municipal de Segurança e Transporte e do 21° Batalhão da Polícia Militar e alunos das escolas municipais, estaduais e particulares.



Foto Luiz Alberto
por.Marcia Rosario

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